Neste romance psicológico, a raiva é uma emoção que espreita a relação de duas pessoas que se amam. Cada vez mais explícita nos relacionamentos atuais, porém, sob o vestido bem passado de Mary, ou entre os ossos e pele de Anton, a raiva se mostra no silêncio. Este romance mostra como essa emoção não é menor por ser silenciosa. Ao contrário, sua contenção é o que a torna mais aguda e insuportável. Acaba por se fazer um grito de dor emocional, que por estar contida e machucando, agora sai, e se sai em formato de grito que esse grito possa ser no pensar sobre si, na escrita, na arte, no exercício, no cuidado à saúde mental. A raiva de Mary e Anton é sutil como uma corrente marítima: invisível na superfície, mas poderosa o suficiente para alterar os destinos do casal.